Às vezes fico me perguntando por que, no Brasil, algumas das
músicas que mais fazem sucesso têm em seu ponto alto (geralmente o refrão) uma
sequência ou, quando não, uma repetição de sílabas sem sentido, como, por
exemplo, “Tchê-tchererê-tchê-tchê” ou “tãin-tãin-tãin-tãin”. Meu palpite é o de
que as pessoas que gostam desse tipo de música estão em fase de alfabetização
e, por isso, a repetição de sons ininteligíveis é tão agradável para elas – porque
reforça o aprendizado.
Em todo caso, se essa não for a explicação correta, fica
aqui a dica para os compositores dessas “pérolas”: eles podem começar a compor
novos “hits” alfabetizadores – dessa vez,
de modo consciente – para o mesmo público ou começar a explorar o mercado
composto por pessoas verdadeiramente analfabetas com as mesmas músicas que já
têm. Onde isso levaria, eu não sei. Mas, sejamos honestos: para onde estamos
indo?
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